Projetos de tecnologia e inovação terão mais R$ 4,5 bilhões em 2013

Data: 08/11/2012

O Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação pretende destinar R$ 4,5 bilhões para o financiamento de novos projetos de tecnologia e inovação em 2013, montante que se soma aos R$ 15 bilhões já previstos no Plano Brasil Maior para liberação até 2014.

O objetivo é impulsionar os investimentos, que começam a mostrar sinais de recuperação, depois da forte queda no ritmo de crescimento da economia brasileira.

Até o começo de dezembro, segundo o presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Glauco Arbix, os incentivos à pesquisa e ao desenvolvimento de tecnologia devem ser reforçados, com o lançamento de um programa de descentralização do crédito.

"Vamos trabalhar com agentes estaduais e regionais. Esperamos ter, num prazo de um ano, 15 agentes trabalhando conosco", afirmou Arbix, durante o seminário "Inovação e Desenvolvimento Econômico", realizado pelo Valor, em parceria com a Finep, ontem (6), em São Paulo. "A ideia é disseminar os instrumentos de inovação Brasil afora", disse. Sem revelar números, Arbix disse que "há grandes chances de que o valor desse programa seja superior a R$ 15 bilhões". "Vamos lançar os editais ainda neste ano."

Durante o seminário, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, disse que já estão alocados cerca de metade dos R$ 15 bilhões previstos no Plano Brasil Maior para projetos de tecnologia e inovação. Segundo ele, foram liberados R$ 6 bilhões no ano passado para projetos na área, provenientes do ministério e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Além dos financiamentos, Raupp ressaltou que o governo tem incentivado a tecnologia e a inovação por meio de renúncia fiscal. Neste ano, segundo o ministro, as desonerações devem chegar a R$ 6 bilhões. "Está havendo uma convergência entre as politicas de desenvolvimento econômico e a estratégia de produção de conhecimento e inovação."

Para o diretor de relações institucionais da Whirlpool Latin America, Guilherme Lima, o desenvolvimento da inovação no Brasil, e a consequente redução da dependência em relação a tecnologias importadas, depende não apenas de uma melhora nas políticas de incentivo à pesquisa e desenvolvimento, mas também de uma adoção mais ampla das políticas existentes pelo mercado empresarial.

"O setor privado precisa usar os instrumentos de incentivo fiscal de maneira mais efetiva", afirmou Lima. Ele foi um dos palestrantes do seminário, que contou ainda com a participação de executivos de grandes companhias, acadêmicos e representantes da indústria.

Com base em dados do ministério, Lima disse que, entre 2007 e 2011, a renúncia fiscal do governo federal com a Lei do Bem ficou estável em torno de R$ 1,8 bilhão ao ano. "É um exemplo de recurso que só depende da decisão das empresas de investir em pesquisa e desenvolvimento. É automático e sua adoção não cresce."

Siegfried Kreutzfeld, diretor superintendente da Unidade WEG Motores, diz que a demora na aprovação de patentes e a dificuldade de encontrar profissionais com formação adequada são os principais fatores que dificultam o desenvolvimento da inovação no país. "O custo para manter pesquisadores no Brasil também é muito alto em comparação com outros centros em países emergentes."

Para Antonio Carlos Teixeira Álvares, presidente da Brasilata e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), é possível ser inovador sem ter que desembolsar grandes somas. Um exemplo disso, segundo ele, pode ser visto na rede de cafeterias Starbucks. "Eles não inventaram um novo café. Eles encontraram uma nova forma de vender. Isso é plano de negócios."

Segundo Álvares, um ponto fundamental para se gerar inovação nas empresas é o comprometimento de toda equipe com o desenvolvimento de processos inovadores, como estabelece o "toyotismo", modelo desenvolvido pela montadora japonesa Toyota

Linhas de crédito - O governo estuda uma série de novas linhas de financiamento à inovação, voltadas para setores mais carentes em investimento em pesquisa e desenvolvimento. O formato dos novos programas pode ser similar ao do Inova Petro, linha elaborada por meio de parceria entre Finep, BNDES e Petrobras, para a cadeia de petróleo e gás, detalhou ontem o presidente do banco, Luciano Coutinho. Em palestra no Rio durante seminário sobre inovação, o executivo chegou a citar alguns setores que poderiam ser contemplados, como saúde, aeroespacial, tecnologia da informação e telecomunicações.

Atualmente, o BNDES trabalha na elaboração do modelo dessas futuras linhas, em parceria com a Finep, MCTI e Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. "Estamos trabalhando, a pedido do Ministério da Ciência e Tecnologia e da Casa Civil, em uma agenda para organizar isso de maneira mais estruturada", disse Coutinho, sem citar prazos de lançamento das linhas.

O executivo preferiu não citar outros setores que poderiam ser favorecidos com a iniciativa. Apenas afirmou que seriam escolhidas "as áreas mais óbvias", ou seja, setores que teriam mais dificuldade em investir em pesquisa e em desenvolvimento no País.

Para a consultoria paulistana Pieracciani, especializada em gestão de inovação, já existem bons instrumentos de financiamento para inovação. Mas o direcionamento do crédito poderia ser mais voltado para o setor de serviços, e não concentrado no setor industrial, como ocorre hoje, avaliou o sócio-fundador da consultoria, Valter Pieracciani. "A indústria sempre é lembrada primeiro."

Mas a oferta de financiamentos não é a única estratégia que poderia ser usada para o desenvolvimento da inovação no País, na análise do presidente do BNDES. Ao levantar hipóteses de outras ações que poderiam estimular projetos de pesquisa e de desenvolvimento no Brasil, Coutinho admitiu que medidas de desoneração tributária poderiam ajudar no objetivo. Também defendeu parcerias entre iniciativas privada, pública e universidades, bem como melhora na infraestrutura de laboratórios brasileiros.

O fraco investimento em inovação é um dos elementos que podem inibir a competitividade do País, mas não é o único. O câmbio apreciado, que permite a entrada de importados com mais facilidade, também preocupa.
(Valor Econômico)



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