Alerta em São Paulo sobre consumo de água

Data: 09/10/2008

Alerta em São Paulo sobre consumo de água


“Muitas vezes o lençol freático está contaminado. Não é porque a água está correndo limpinha que ela é própria para consumo”, alerta José Luiz Negrão Mucci, professor do Departamento de Saúde Ambiental, da Faculdade de Saúde Pública da USP.

Segundo Mucci, todas as doenças por veiculação hídrica são diarréicas, o que faz com que as pessoas, usualmente, atribuam o sintoma à ingestão de um alimento estragado. “Existe uma série de protozoários que pode ocasionar uma doença por via hídrica. A demora no diagnóstico pode proporcionar o surgimento de um problema crônico no paciente”. Ele ainda ressalta que antes de usufruir dessas fontes é preciso conhecer sua procedência. “De onde vem a água do caminhão-pipa, por exemplo? Não sabemos. É necessário que se faça uma análise da água, com os testes adequados, para saber se ela pode ser consumida ou não”.

De acordo com o Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE), da Secretaria de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo, estima-se que existam, em todo o estado, cerca de 40 mil poços abertos. Desse total, apenas 18.000 possuem a concessão do órgão. “O cidadão que deseja abrir um poço deve registrar-se e obter a outorga do DAEE, que pode ser negada se o projeto for considerado inadequado ou houver contaminação no local”, diz Leila Gomes, diretora de Outorga e Fiscalização de Recursos Hídricos.

O Grupo Técnico de Saneamento, do Centro de Vigilância Sanitária, lembra que o acesso ao recurso hídrico subterrâneo é direito garantido a todo cidadão, embora sua exploração como alternativa ao sistema público em áreas densamente urbanizadas e industrializadas possa representar significativos riscos aos usuários, se não forem devidamente reguladas. “Tão importante quanto a fiscalização pelo poder público (DAEE, Cetesb e Vigilância Sanitária) é a consciência dos responsáveis e usuários de que sua saúde e bem-estar dependem da exploração adequada dos recursos hídricos”.

Para se tornar própria para consumo, a água deve atender aos padrões estabelecidos pela Portaria 518/2004, do Ministério da Saúde. A legislação estabelece quais substâncias devem ser monitoradas e o limite máximo permitido para cada uma delas. “Os limites são estabelecidos em função de estudos epidemiológicos e toxicológicos. Cabe a eles atestarem se a água é própria para o consumo humano, ou seja, se pode ser ingerida, inalada e ter contato dérmico”, explica Érika Martins Andrade, gerente de Controle da Qualidade dos Produtos Água e Esgoto, da Sabesp. Atualmente, a empresa realiza o monitoramento e a análise de 54 substâncias que causam risco à saúde e outras 20 que são listadas como possíveis causadoras de objeção à aceitação.



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